domingo, 30 de novembro de 2008

SIMPLESMENTE GENIAL!

Para muitos terá sido apenas um actor. Mais um actor.

Para mim foi, é e será o Actor!

Habituei-me a conviver com a sua imagem inconfundível desde a mais tenra idade.


Os filmes, os hobbies, a paixão pelas pessoas... O enorme sentido de utilidade da sua carreira em prol dos outros, dos que mais precisam, dos que todos sabemos que existem e esquecemos quando adormecemos.

Quantos de nós, se tivessemos fortuna, a distribuiriamos com os outro em lugar de nos afogarmos numa riqueza só nossa?


Ele é diferente, de facto!



http://www.youtube.com/watch?v=XiAqeVB-Ed8&feature=related

sábado, 29 de novembro de 2008

NÃO É FÁCIL!



Pode parecer estranho, mas nada disto é realmente fácil.
Decidir lidar com jovens, tantas vezes habituados a pensar que a melhor defesa é não confiar, leva-nos a tentar por todos os meios chegar lá dentro, ao ponto sensível. Mas, saber onde ele está ou se falta muito para o encontrar é um enigma.
Na verdade, nesta incessante luta para num curto espaço de tempo conseguir operar algumas mudanças na forma como vêem o Mundo acabamos por nos dar diariamente, aos poucos e sem limites.
Não cedemos nas regras do jogo, mas estamos lá a cada momento, especialmente nos mais difíceis. E eles começam rapidamente a perceber isso.
Não é fácil, porque nos leva a dizer-lhes não apenas as coisas boas, mas sobretudo aquelas que, mesmo magoando, é necessário serem ditas, para que cresçam bem e com equilíbrio.
Com o tempo aceitam tudo isso e estranham se não dissermos a verdade, por mais dura que seja, quando sabem que erraram.
E, dia após dia, dão sentido às nossas vidas e fazem com que todos os trabalhos e sacrifícios valham a pena.
É por isso que, por vezes, um pequeno incidente pode tomar proporções maiores.
Afinal, investimos tanto de nós nestes filhos que não são nossos, que alguns dos seus deslizes mais simples nos podem magoar.
Mas depois passa!
Contudo, é importante que percebam que tal como eles sofrem, quando os magoam, o mesmo acontece connosco.
É necessário que saibam que também somos Humanos.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

"E SE OBAMA FOSSE AFRICANO?" - Por Mia Couto

Bem sei que pode parecer estranho, ou mesmo muito estranho, que por vezes me limite a colocar neste espaço artigos ou pensamentos de outras pessoas, devidamente identificados, obviamente.
Não é assim tão estranho. É que muitas vezes, na nossa caminhada, encontramos nas palavras e experiências de outros exactamente aquilo que queriamos transmitir. Então, para quê inventar?
Está tudo dito!
«Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.





Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.

Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.



Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.


E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?


1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.


2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Lhe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Lhe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.




3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado "ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.
4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.



6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.
Inconclusivas conclusões.
Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.

Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.

Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.»




















Jornal "SAVANA" – 14 de Novembro de 2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

DA DOR DA FOME À DOR DO LAR…





De ar rufia e olhar travesso, rosto sardento de onde sobressai o nariz arrebitado, inconfundível, é o R... Desconfiado por natureza, entrega-se sem reservas quando encontra sinais de confiança. São catorze anos apenas, mas é no olhar que lê a alma de cada um de nós. Tenta ser gente, ser grande, ser forte… Coração de Menino!

Espantosa a semelhança com a figura já gasta do nosso mais longínquo filme, onde um herói de palmo e meio, que adormece ao colo do Pai, sai à rua com a determinação de um homem que vai encontrar a solução para todos os jantares de mesa vazia, para todas as calças orgulhosamente remendadas, ou não fosse o dom das mãos de fada da Mãe mais linda a costurá-las com pedaços de Céu e fios de Ternura.

Nesse tempo, por todo o mundo, inúmeros cineastas aplicavam a infalível receita do sucesso de bilheteira que fazia as delícias de corações sensíveis que, à socapa, se emocionavam com aquela história tão própria da vida real, em que a irreverência daqueles pequenos rostos sardentos mais não queria que esconder a dor de uma infância sofrida, uma mesa sem pão, uma sacola sem livros… Ah! Mas o coração, esse, estava cheio de Amor e de Sonhos.

Hoje, com a mesma figura, a mesma força suportada pela fragilidade escondida, o mesmo olhar, porém mais agressivo… As calças são novas, de marca e sem remendos, e a mochila, nova em qualquer altura do ano, está vazia de livros que ficaram em casa, num acto irreverente de quem finge afirmar que a escola “é uma seca”. Nada faz de vontade, nada aceita como bom, nada dá, nada quer… Já tem tudo!?!

Mera ilusão! Este pequeno Homem mais não é que um Menino grande à procura do colo onde encostar a cabeça e dormir em segurança. A segurança do Amor!

Num repente, serena-se-lhe o olhar, chegando mesmo a ser meigo, e inicia uma conversa calma e tranquila em que se expõe sem defesas, mostra-se feliz por estar ali a estudar, contudo não queria fazê-lo. Mas agora, perto da hora de regressar a casa, acha que foi bom ter vindo. Fala do futuro, foge da família, que parece vazia, do Pai que não vê, nem quer saber onde está, da Mãe, que finge desvalorizar, que o obriga a estudar, dos outros irmãos, os filhos, do padrasto que não deixa que nada lhe falte, da vida fácil, em que nada falta, dum futuro que é o dele e passa por uma escola onde se aprenda… mas nunca do Amor, dos Afectos, da Ternura ou do Carinho.

Inesperadamente surpreende-me! Fala da escola. Da primeira escola e do professor exigente, que a mãe ajudava a contornar quando não cumpria os seus deveres, da escola actual, em que ninguém se entende, do professor que fala para uma turma que não ouve, ocupada num barulho infernal, segura da impunidade do sistema, porque, como diz, “nada acontece”. Na sua mais genuína pureza, pouco condicente com a sua figura, diz-me:

- Os professores deviam poder puxar as orelhas aos alunos e reprová-los por mau comportamento!

Retorqui com admiração:

- Porquê? O professor não deve agredir o aluno.

- Não é uma agressão… é uma correcção! Se o fizessem uma vez, os alunos estavam calados e podia ouvir-se o que o professor dizia. Devia ser permitido. Não deviamos estar na escola só por estar. Eu preferia trabalhar, mas não posso. Pelo menos podia haver uma escola diferente, para aprendermos uma profissão desde cedo. Não gosto de estudar assim! Há matérias que são giras, mas não me interessam para nada… pelo menos é o que eu acho.

- Estou admirada – confessei. – Não esperava ouvi-lo dizer uma coisa dessas.

Passava já um bocado da hora de ir para casa. Arrumou os livros enquanto garantia que era aquilo que pensava e que, um dia, havia de ter a sua profissão e governar-se sem ter de trabalhar para outros. Era isso que queria e ía conseguir, porque não se importa de trabalhar. Despediu-se, prometendo que, se um dia fosse à televisão, haveria de dizer o que dissera ali:

- A escola assim não serve de nada!

Pequeno, arrogante, arruivado e sardento, esta figura já gasta de outros tempos, esconde hoje outra dor, a dor do Lar vazio e frio, onde o calor da fartura não aquece o coração, nem enriquece a alma.

Seria tão bom, por vezes, ter um pouco menos de fartura na mesa e um pouco mais de Família!

Paz na Família!

A riqueza, ao contrário do que muita gente julga, não é suficiente para nos dar a felicidade.

Pode uma família possuir abundantes meios de fortuna, ter posses para adquirir quanto precise ou apeteça, gozarem excelente saúde todas as pessoas que a constituem: mas, se estas se não estimarem, se não forem unidas, se a desarmonia as indispuser a cada passo, se entre elas houver discórdias frequentes, essa família, apesar da sua riqueza, não pode ser feliz. Pode, pelo contrário, uma família pobre, não obstante a escassez de seus recursos, gozar de uma relativa felicidade, desde que os seus membros se conformem com a sua pobreza, se estimem sinceramente, se compreendam e se auxiliem uns aos outros.

Nada mais simpático, na verdade, do que uma família unida, ligada pelos mesmos sentimentos de amizade e dedicação, e trabalhando harmonicamente para o mesmo fim. Nada mais deplorável, pelo contrário, do que uma família desunida, dando aos estranhos o lamentável espectáculo de vergonhosa desarmonia.

A maior parte das vezes é a ambição que dá causa a essas discórdias. Questões, por exemplo, de partilhas de bens deixados pelos pais, dão muitas vezes motivo a malquerenças entre irmão que anteriormente, em vida dos pais, viviam na melhor harmonia.

Não se entendendo, recorrem então à Justiça, para que ela faça aquilo que eles poderiam e deveriam ter combinado à boa paz, mas que, por ambição quase sempre, não souberam ou não quiseram fazer.

A intervenção da Justiça é dispendiosa: e o resultado dessa intervenção é terem os desavindos irmãos de herdar menos, ficando a detestar-se mais.

Quanto melhor não seria que essa partilha tivesse sido feita amigavelmente, ainda que algum dos herdeiros viesse a ficar levemente prejudicado em relação aos outros.

«Mais vale ruim acordo que boa demanda»

Castilho, Leituras da 4ª Classe, Ano lectivo 1948-49

Hoje é um dia especial!



Ao acordar darei graças a Deus por ter a oportunidade de estar vivo.

Maravilhar-me-ei por todos os milagres que se operam em mim e em todas as criaturas que me rodeiam.

Alimentarei a minha mente com ideias que me estimulem a vencer e me fortaleçam perante as adversidades.

Em cada problema procurarei o desafio para desenvolver ao máximo as minhas potencialidades e enfrentarei cada um deles com profundo optimismo.

Aumentarei os meus conhecimentos e, mais importante que tudo, po-los-ei em prática.

Exercitarei o meu corpo para que dê energia à minha força de vontade, que é a essência que orienta a minha existência.

"Comunicarei com Deus para que me inspire e proteja em tudo o que realize."



Miguel Ángel Cornejo

Fonte: Enciclopédia da Excelência
Líderes do Terceiro Milénio
Tomo IX, pag. 3469