quarta-feira, 18 de março de 2009

AMANHÃ...

Como hoje é dia 18 de Março, logicamente, amanhã é dia 19. É dia do Pai!
Pela décima oitava vez na minha vida estou dispensada da parte material desta data.
Não que alguma vez tivesse tido a parte material como ponto de agenda. Nunca foi o mais importante. Não para o meu pai.
Pela primeira vez partilho este momento...
São já dezoito anos e passou tão pouco... e parece uma eternidade...
Não preciso do dia de amanhã para o lembrar, como nunca precisei dessa ou de outras datas para ser presente na sua vida.
Hoje, como sempre, o seu conselho dirige as minhas decisões.
É impossível escolher rumos e definir objectivos, ou tomar posições, sem revisitar a memória e escutar o seu conselho sábio, o conselho de quem nunca escondeu fraquezas nem erros para se agigantar.
O seu tamanho real escondia uma alma enorme.
Não é possível habituarmo-nos à ausência das pessoas que são verdadeiramente importantes nas nossas vidas. Um simples bom dia ou boa noite, um olhar, poderiam dar-me um conforto inigualável.
Nada disto se prende com palavras que por vezes ficam por dizer a quem mais importa e um dia já não podem ser ditas.
Não!
Graças a Deus tudo foi dito. O bom, o mau... tudo o que deve ser dito para que o Amor perdure.
É Saudade mesmo!
Foi por recordá-lo tantas vezes que há dias, neste espaço, coloquei um dos seus poemas favoritos, do seu mentor e mestre José Régio. Sim, porque também ele escrevia coisas magníficas e que este vulto da nossa poesia leu em primeira mão.
Sei que um dia esta Saudade acaba. Mas até lá há que viver com ela.
Como consolo, terei sempre a lembrança das nossas conversas e dos nossos passeios pelo campo, olhando as sementeiras e ouvindo a "Natureza a parir", quando os meus passos cabiam duas ou três vezes nos teus e tentava seguir-te colocando os meus pés nos sulcos que os teus deixavam. Tenho ainda os almoços intermináveis aos Sábados e Domingos, porque estávamos todos juntos e "à mesa ninguém se faz velho". O riso franco, a gargalhada contagiante, as lágrimas de alegria e o choro magoado e sentido... a coragem de não ter vergonha de ser humano e exteriorizar o que nos vai na alma.
E quando os teus sermões terminavam com os magníficos relatos das tropelias e desacatos da tua infância e juventude, bem mais elaborados que os nossos, e entre risos a discórdia se dissipava...
Os teus Cristos... Quando vejo essa imagem Magnífica, percebo porque te comovia. E cada vez mais te entendo e aos poucos se me torna impossível contemplá-lo sem sentir o mesmo.
Sei que sempre estarei contigo e que sempre estarás comigo.
Continuarei a tentar viver com a mesma verdade com que me ensinaste a ser eu. De facto, quanto mais verdadeira é a nossa imagem, mais profunda é a nossa vivência e mais dolorosos os espinhos dos caminhos. Mas só assim vale a pena.
Que junto ao Pai tenhas um feliz dia, "pai".

sexta-feira, 13 de março de 2009

DE VOLTA À ANTÁRTIDA!

O nosso Cientista Polar está de volta aos seus pinguins e albatrozes.
Partiram no dia 10 de Março e já vão bem longe.
Para quem não sabe, é sempre aliciante seguir os comentários diários e fotografias que nos disponibiliza no seu blog.
Eu já estou em contacto e a desfrutar do seu Diário de Bordo e das imagens magníficas que o Dr. José Xavier já enviou.
Desafio-vos a visitar o blog e deixarem os vossos comentários e perguntas, que ele tanto gosta de responder.
Depois contem-me como foi a experiência. Não é todos os dias que podemos ter um cientista ao nosso dispôr.

sábado, 7 de março de 2009

MÃE!

Nossa Senhora
Tenho ao cimo da escada, de maneira
Que logo, entrando, os olhos me dão nela,
Uma Nossa Senhora de madeira
Arrancada a um Calvário de capela.
Põe as mão com fervor e angústia. O manto
Cobre-lhe a testa, os ombros, cai composto;
E uma expressão de febre e espanto
Quase lhe afeia o fino rosto.
Mãe das Dores, seus olhos enevoados
Olham, chorosos, fixos, muito além...
E eu, ao passar, detenho os passos apressados,
Peço-lhe: - «A sua bênção, Mãe!»
Sim, fazemo-nos boa companhia,
E não me assusta a sua dor: quase me apraz.
O Filho dessa Mãe nunca mais morre. Aleluía!
Só isto bastaria a me dar paz.
- «Por que choras, Mulher?» - docemente a repreendo.
Mas à minh'alma, então, chega de longe a sua voz
Que eu bem entendo:
- «Não é por Ele...»
- «Eu sei! teus filhos somos nós.»
Líricas de José Régio, Mas Deus é Grande