sexta-feira, 1 de maio de 2009

DOMINGO É O DIA DA MÃE!

Mais uma vez as datas especiais me trazem a partilhar convosco um pouco de mim.
Ao longo da vida, nem tudo foram rosas, e quando o foram sempre tiveram espinhos, dando assim à vida o tempero especial de ficar guardada em nós apesar do tempo.
Momentos houve em que, chegado este dia, e já sem idade para oferecer desenhos, me faltou o necessário para oferecer à minha Mãe um presente, muito menos o presente que achava que ela merecia. Esse não lho dei até hoje e creio não poder dar-lho nunca. O que é bom sinal. Significa que nada de material pode expressar o Amor de Mãe que sempre teve por nós.
Aos 21 anos, quis dar à minha Mãe um presente neste dia e não tive como. Resolvi dar-lhe um pouco de mim, a Ela que me dera o ser.
É esse presente que hoje partilho convosco, quando tantas vezes as Mães ficam esquecidas por filhos que não recordam os sacrifícios que por eles foram feitos.
As Mães, mais ou menos severas, com mais ou menos razão, agem sempre por amor e na convicção de estarem a fazer o melhor para os seus filhos. Quando não tiverem sido na nossa vida o entrave para fazermos tudo o que quisessemos, quando nada sabiamos da vida, então não foram Mães.
Tal como os Pais, as Mães são muitas vezes limitadoras dos nossos impulsos. Porque nos amam e já viveram o que estamos a viver, temem que possamos sofrer.

MÃE
*
Como nós já foi criança
E jovem, como nós também.
Tornou-se Mulher a moça,
Lutou na vida por Bem.
*
Levando p'la mão os meninos,
Pequenos, de andar temerário,
Passo a passo e com carinhos...
... Segue as contas do Rosário.
*
Ampara-nos pelo caminho,
Com cuidado e devoção,
Da luta só vendo o bem.
*
E, devagar, devagarinho,
Cá bem junto ao coração,
Deixa em nós o Amor de Mãe.
*
Maria Simas - Dia da Mãe/1984
*
Desejo a todos um Feliz Dia da Mãe e peço-vos, se é que isso me é permitido, que, pelo menos neste dia, não esqueçam as vossas Mães. Não importa qual a relação que com Elas mantenham, boa ou má, amem-nas e deixem que saibam tudo o que gostariam de lhes dizer.
Um dia, o tempo as levará. Nessa altura de perda a dor será muito maior se não tiver ficado tudo dito entre nós e as nossas Mães.
Também na discórdia Elas devem conhecer os nosso motivos. Assim farão, como só elas sabem, das diferenças Laços de Amor.

quarta-feira, 18 de março de 2009

AMANHÃ...

Como hoje é dia 18 de Março, logicamente, amanhã é dia 19. É dia do Pai!
Pela décima oitava vez na minha vida estou dispensada da parte material desta data.
Não que alguma vez tivesse tido a parte material como ponto de agenda. Nunca foi o mais importante. Não para o meu pai.
Pela primeira vez partilho este momento...
São já dezoito anos e passou tão pouco... e parece uma eternidade...
Não preciso do dia de amanhã para o lembrar, como nunca precisei dessa ou de outras datas para ser presente na sua vida.
Hoje, como sempre, o seu conselho dirige as minhas decisões.
É impossível escolher rumos e definir objectivos, ou tomar posições, sem revisitar a memória e escutar o seu conselho sábio, o conselho de quem nunca escondeu fraquezas nem erros para se agigantar.
O seu tamanho real escondia uma alma enorme.
Não é possível habituarmo-nos à ausência das pessoas que são verdadeiramente importantes nas nossas vidas. Um simples bom dia ou boa noite, um olhar, poderiam dar-me um conforto inigualável.
Nada disto se prende com palavras que por vezes ficam por dizer a quem mais importa e um dia já não podem ser ditas.
Não!
Graças a Deus tudo foi dito. O bom, o mau... tudo o que deve ser dito para que o Amor perdure.
É Saudade mesmo!
Foi por recordá-lo tantas vezes que há dias, neste espaço, coloquei um dos seus poemas favoritos, do seu mentor e mestre José Régio. Sim, porque também ele escrevia coisas magníficas e que este vulto da nossa poesia leu em primeira mão.
Sei que um dia esta Saudade acaba. Mas até lá há que viver com ela.
Como consolo, terei sempre a lembrança das nossas conversas e dos nossos passeios pelo campo, olhando as sementeiras e ouvindo a "Natureza a parir", quando os meus passos cabiam duas ou três vezes nos teus e tentava seguir-te colocando os meus pés nos sulcos que os teus deixavam. Tenho ainda os almoços intermináveis aos Sábados e Domingos, porque estávamos todos juntos e "à mesa ninguém se faz velho". O riso franco, a gargalhada contagiante, as lágrimas de alegria e o choro magoado e sentido... a coragem de não ter vergonha de ser humano e exteriorizar o que nos vai na alma.
E quando os teus sermões terminavam com os magníficos relatos das tropelias e desacatos da tua infância e juventude, bem mais elaborados que os nossos, e entre risos a discórdia se dissipava...
Os teus Cristos... Quando vejo essa imagem Magnífica, percebo porque te comovia. E cada vez mais te entendo e aos poucos se me torna impossível contemplá-lo sem sentir o mesmo.
Sei que sempre estarei contigo e que sempre estarás comigo.
Continuarei a tentar viver com a mesma verdade com que me ensinaste a ser eu. De facto, quanto mais verdadeira é a nossa imagem, mais profunda é a nossa vivência e mais dolorosos os espinhos dos caminhos. Mas só assim vale a pena.
Que junto ao Pai tenhas um feliz dia, "pai".

sexta-feira, 13 de março de 2009

DE VOLTA À ANTÁRTIDA!

O nosso Cientista Polar está de volta aos seus pinguins e albatrozes.
Partiram no dia 10 de Março e já vão bem longe.
Para quem não sabe, é sempre aliciante seguir os comentários diários e fotografias que nos disponibiliza no seu blog.
Eu já estou em contacto e a desfrutar do seu Diário de Bordo e das imagens magníficas que o Dr. José Xavier já enviou.
Desafio-vos a visitar o blog e deixarem os vossos comentários e perguntas, que ele tanto gosta de responder.
Depois contem-me como foi a experiência. Não é todos os dias que podemos ter um cientista ao nosso dispôr.

sábado, 7 de março de 2009

MÃE!

Nossa Senhora
Tenho ao cimo da escada, de maneira
Que logo, entrando, os olhos me dão nela,
Uma Nossa Senhora de madeira
Arrancada a um Calvário de capela.
Põe as mão com fervor e angústia. O manto
Cobre-lhe a testa, os ombros, cai composto;
E uma expressão de febre e espanto
Quase lhe afeia o fino rosto.
Mãe das Dores, seus olhos enevoados
Olham, chorosos, fixos, muito além...
E eu, ao passar, detenho os passos apressados,
Peço-lhe: - «A sua bênção, Mãe!»
Sim, fazemo-nos boa companhia,
E não me assusta a sua dor: quase me apraz.
O Filho dessa Mãe nunca mais morre. Aleluía!
Só isto bastaria a me dar paz.
- «Por que choras, Mulher?» - docemente a repreendo.
Mas à minh'alma, então, chega de longe a sua voz
Que eu bem entendo:
- «Não é por Ele...»
- «Eu sei! teus filhos somos nós.»
Líricas de José Régio, Mas Deus é Grande

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

INESPERADAMENTE, AS PALAVRAS CERTAS VÊM AO NOSSO ENCONTRO!

Todos nós coleccionamos, ou pelo menos era costume coleccionarmos, uma infinidade de objectos e papeis que, religiosamente, constituem o espólio da nossa história pessoal.
Com o passar do tempo vamos tendo pela casa diversas caixas, gavetas e armários com coisas tão variadas que já nem nos lembramos ao certo se ainda as temos.
Invariavelmente, quando precisamos de procurar alguma coisa que há muito não vemos, acabamos por encontrar outras que chegam a ser surpreendentes.
Por estes dias, ao procurar uns cadernos antigos, encontrei uma das muitas caixas onde se esconde, ou guarda, a minha história.
Quase fiquei chocada com a surpresa de encontrar um postal... sim, um postal ilustrado, da Nazaré, de que não me lembrava e me foi escrito por um colega de curso, durante as nossas primeiras férias de jovens engenheiros.
Parece tolice, não é? Que interesse pode isso ter? Que pode haver de extraordinário num postal?
Muita coisa e, provavelmente, nada do que se possa imaginar.
Em três ou quatro linhas, um colega que, finalmente, se tornara um Amigo, consolidava e confirmava assim uma grande Amizade, que se supunha longa. Dessas que não têm tempo nem espaço.
Este Amigo, que começara por ser um colega pouco simpático, tornara-se repentinamente mais aberto e, talvez por isso, mais acessível, revelando-se um ser humano atento e disponível para ajudar os outros.
Para mim, pelo menos, foi assim.
No final daquele ano lectivo, o último, como era hábito dos meus meses de Junho, agendei um sábado na Feira do Ribatejo, em Santarém, ainda no antigo e místico espaço dentro da cidade.
Lancei o desafio e alguns dos meus colegas também foram. Ele foi um deles!
No dia marcado, apanhámos o comboio e seguimos viagem.
Por fim, quando a tarde já ía alta, disse-lhes que não regressaría a Lisboa àquela hora, pois iría à Corrida de Toiros dessa tarde.
Ninguém quis ir, claro!
Mas ele resolveu experimentar uma coisa que dizia não apreciar, tentando outro ponto de vista. Ficaram mais dois ou três.
O tempo passou e, quando recebi o dito postal ( eu tinha feito e distribuído uma lista com os contactos de todos ), verifiquei que ele se tinha tornado assíduo das Praças de Toiros.
Com o devido respeito por quem é contra, nós gostávamos!
Tudo isto parece não fazer sentido nem ter importância, não fora este Amigo, passado alguns anos, inesperadamente, ter-nos deixado, vítima de meningite.
Foi um momento difícil!
Para trás ficava o início de uma boa Amizade, a família que formara desfeita e a ter de seguir em frente e a certeza de que a vida não nos pertence.
Muitas vezes o recordo e tento imaginar como foi para esta família, para o seu filho, encontrar o caminho. Que imagem terá do pai que mal conheceu?
Encontrar este postal trouxe-me à memória uma quantidade de lembranças e emoções e uma saudade enorme.
Mas, mais do que isso, a certeza do que este Amigo esperava de mim, a certeza que ele tinha de que eu não desistiria perante os obstáculos...
Se não for por mim, que seja por ele. Não há tempo nem lugar para desistentes.
A vida tem de ser vivida!

sábado, 24 de janeiro de 2009

POR MAIS QUE NOS CUSTE...

É verdade! Por vezes somos injustos e, se não tivermos feito nenhum comentário comprometedor, é fácil ficarmos calados, sem que ninguém desconfie dos nossos erros.

Mas não é correcto!

E, se nalguns casos pode não ter importância, noutros, se tivermos consciência, seremos eternamente atormentados.

O que me traz aqui, com toda esta conversa, é o facto de há algum tempo ter sido tremendamente injusta com alguém que muito estimo e admiro e que nunca duvidou da minha amizade, manifestando sempre sem reservas toda a Amizade, respeito e confiança que eu lhe merecia.

Há cerca de 3 anos, 3 anos e meio, um amigo que conheci por questões profissionais, e cuja relação profissional deu lugar a uma grande e boa Amizade, e que manteve comigo uma actividade relacionada com a manutenção de jardins e piscinas, o que acrescentava uns cobres aos nossos rendimentos, à época largamente abalados pelo encerramento da empresa em que trabalhávamos, sofreu um rude golpe: dignosticaram-lhe um leucemía rara, que afectava o sistema nervoso.

O facto é que, mesmo tendo arranjado trabalho, continuámos com a dita actividade, o que exigía bastante de nós, tanto em termos de tempo como fisicamente. De um dia para o outro ele passou a ter pouco tempo, achar tudo cansativo, deixar as tarefas a meio porque lhe doíam os braços e as costas... enfim, para um rapazinho substancialmente mais novo que eu era muita fraqueza para tanto sangue novo.

Contudo, a sua vida continuava naturalmente, com a rotina habitual e tudo na maior... pensava eu, que entretanto dizia com os meus botões que tinha arranjado um sócio que se cansava muito facilmente, e por aí fora...

Cansada de me desdobrar para atender a todos os fogos, propus-lhe acabar com tudo, pois ele não tinha tempo e eu também começava a não conseguir chegar a todo o lado, andando já a cortar relva à luz da lua. Ele concordou, ou aceitou, fizemos contas e acabámos com tudo.

Pouco tempo depois, tinha ele andado a fazer exames médicos, encontrámo-nos para almoçar. Fiquei assustada. Era verdade o que me havia dito pelo telefone. Em poucos dias perdera 10 Kg e estava magríssimo, sem motivo aparente. Segundo os médicos, era stress...

Tentei, a todo o custo, convecê-lo a ouvir outra opinião, lembrei-lhe o caso de um amigo, que em tempo comentara com ele, e que tinha uma situação idêntica que acabou num linfoma, hoje tratado, mas que poderia ter sido fatal, se não tivesse ouvido outras opiniões. Também ele não tinha nada e era o stress que o fazia perder peso... Nem assim o convenci.


Poucos meses depois, 2 ou 3, telefonou-me e contou-me da sua doença. Se eu já me sentia mal por tê-lo julgado com pouca vontade de trabalhar, agora estava de rastos. Meu Deus, como podía ter sido capaz de julgá-lo dessa maneira? Agora estava ali, confiando em mim, na minha capacidade de ajudá-lo a resolver problemas, informando-me da sua doença e das graves consequências que teria na sua vida, em nenhum momento duvidando da minha amizade incondicional. De peito aberto, contava-me a sua história e pedia-me ajuda.

Fomos mantendo contacto, não tanto quanto deveria ser, pois entre tratamentos e internamentos as debilitações foram muitas e ficava sempre algum constrangimento no ar. Afinal, agora, ele estava fisicamente afectado, perdera a coordenação motora e praticamente não via, situação claramente irreversível. O auto-transplante curara o tumor, mas os danos cerebrais eram irreparáveis.

Há dias, após o Natal, falei com ele. Estava ao corrente das suas actividades e sabia que necessitava de alguém para o ajudar. Liguei-lhe para saber se tinha resolvido a situação e tratei de promover o contacto com alguém de confiança.

Fiquei muito feliz por ele. Tinha feito um curso de informática para invisuais e voltara a trabalhar, na mesma empresa, desenvolvendo o Sistema de Gestão da Qualidade.

Fraco, ele?

Que vergonha!

Se alguém aqui é fraco, sou eu!

Parabens Nuno, és um Grande Homem e um Grande Amigo.

Quem precisa de ajuda sou eu.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

ANO NOVO, VIDA NOVA!


Chegamos a esta altura do ano e dizemos: "Mais um ano se passou!"

Há lá frase mais gasta e enganadora...

Afinal, para quê resumir todo um ano num só dia, se na realidade vivemos um dia de cada vez?

Será que temos a noção de como aniquilamos 365 dias num momento?

É por isso que só nos lembramos do mau que o ano teve. Só deixamos fluir o nosso lado pessimista e aniquilamos todos aqueles pequenos nadas que tantas alegrias nos deram. Porque esses, nós achamos normais, triviais, inevitáveis, e quem sabe apagáveis, quando os olhamos à distância.

Será possivel que sejamos tão mal agradecidos? Tudo porque os bons momentos não foram necessariamente bombásticos, barulhentos, de enorme visibilidade...

É tempo de recomeçar e fazer votos de mudança, mas não em grupo, com os outros e para os outros. Vamos comprometer-nos connosco próprios! É isso que falta nas nossas vidas. Mais idealismo, mais sorriso, mais gratidão por cada momento de Paz num Mundo em Guerra, mais inquietação e iniciativa... Em suma, mais fé em nós próprios!

Seremos capazes de fazer este propósito individualmente e sem testemunhas? Em que não há desculpas para falhanços, porque ninguém nos pedio nada, ninguém sabe de nada, ninguém vai ficar à espreita... só vão notar a mudança e, quem sabe, começar a acreditar que pode mesmo haver um Mundo Melhor.

Só depende da cada um de nós.

Vamos a isso?