
É verdade, será assim todos os anos, quando mais um grupo parte, exactamente quando encontrámos um patamar de diálogo em que a abertura, proximidade e frontalidade não dependem do lugar que cada um ocupa, porque isso não constitui um obstáculo.
Mas a vida é uma casa em construção e eu sou apenas um dos obreiros, com uma tarefa específica, que tem o seu princípio e o seu fim. Sou apenas obreira de uma pequena parte.
Talvez os contrutores que o fazem por genialidade, e logo amam as suas obras, sintam a mesma saudade das obras por que passaram. Isto, claro, com as devidas ressalvas pela imodéstia. Mas também há quem diga que a modesta é sempre falsa...
Neste caso, contudo, é diferente. Não sou eu que passo pela obra, mas a obra que passa por mim.
É por isso que nós somos um pouco como os pais. Damos asas aos passarinhos e deixamo-los voar. E quando não querem, fazemos como as cegonhas fazem aos filhos, empurramo-los e obrigamo-los a bater as asas. É esse o alimento da nossa alma e a nossa real remuneração.
Tenho tido notícias de alguns com regularidade, o que é maravilhoso. Mas ontem, tive o grande privilégio de voltar, por hora e meia, a ser professora dos Meus Alunos. Foi fantástico!
Como tinha saudades deles, mesmo vendo-os todos os dias. Nem sei se eles têm a noção da importância que têm. Nem mais nem menos, a importância de todos os que vão partindo.